Sábado, 4 de Fevereiro de 2012

POLÍTICA INSTITUCIONAL DE GESTÃO DE RISCO DE MERCADO

O monitoramento e controle dos riscos de mercado encontram-se firmemente enraizados na cultura corporativa do Banco BNP Paribas. Nesse aspecto, a integração do Banco BNP Paribas Brasil com a matriz é total. Este documento, ao descrever a atividade de monitoramento dos riscos de mercado e determinar as responsabilidades da área de risco de mercado, formaliza a política de gestão de risco de mercado do Banco BNP Paribas Brasil, em adequação com a Resolução 3.464 de 26 de junho de 2007. A aprovação desta política institucional pelo Conselho de Administração do Banco BNP Paribas é efetuada no final de cada ano.


1. ESTRUTURA DO CONTROLE DE RISCO DE MERCADO NO BANCO BNP PARIBAS

O Banco BNP Paribas monitora os riscos aos quais se submete de maneira unificada sob a estrutura do GRM, Group Risk Management ou “Grupo de Gerenciamento de Risco”. Isso inclui os departamentos responsáveis pelos:

  • Riscos de Crédito (CRI)
  • Riscos de Mercado (R-CM)
  • Riscos Operacionais e Controle Permanente (ORPC)

O monitoramento do risco de mercado encontra-se sob a responsabilidade do R-CM, Risk Capital Markets ou “Risco para Mercados de Capitais”. Por sua vez esta área é composta por várias equipes, dentre elas cabe destacar:

  • O Portfolio Analysis Team (Equipe de Análise de Carteiras), responsável pelo monitoramento dos riscos de mercado.
  • O Exposure Control Team (Equipe de Controle de Exposição), responsável pelas informações sobre risco de contraparte.
  • O Credit Team (Equipe de Crédito), responsável pelo monitoramento dos riscos das carteiras que possuem produtos de crédito (derivativos de crédito, MBS, ABS e outros).
  • O Hedge Fund Team (Equipe de Fundos Multimercado), responsável pelas operações com fundos multimercado.
  • O Transaction Analysis Team (Equipe de Análise de Transações), responsável pela análise e aprovação de novos produtos ou atividades.
  • O Risk Architecture Team, (Equipe de Arquitetura de Risco), responsável pela modelagem dos sistemas de risco – Value at Risk e outras medidas – e pela geração dos relatórios.

O Portfolio Analysis Team e o Exposure Control Team possuem presença local no Brasil. O monitoramento do risco de mercado é efetuado pelo Portfolio Analysis Team São Paulo, doravante PAT SP, que interage de forma estreita com as demais equipes do R-CM beneficiando-se assim da expertise específica a cada uma delas.

O PAT SP é totalmente independente da estrutura hierárquica do Banco BNP Paribas Brasil. Os seus membros respondem diretamente para o R-CM de Nova Iorque e Londres. As políticas salariais são definidas pela diretoria de riscos de mercado para as Americas localizada em Nova Iorque. No Brasil, o Diretor de Riscos de Mercado, nomeado em dezembro de 2007 para adequação à Resolução 3464 do Banco Central do Brasil, assegura o relacionamento com os órgãos reguladores.


2. MONITORAMENTO DO RISCO DE MERCADO

ESCOPO & FREQÜÊNCIA

O PAT SP tem a obrigação de monitorar a exposição a risco de mercado do Banco BNP Paribas Brasil. Isso inclui as posições proprietárias, as atividades com clientes e a gestão do caixa do banco. A íntegra das posições registradas no Balanço Contábil da instituição financeira deve portanto encontrar-se sob supervisão.

Todo fator de risco que influencie o valor a mercado das posições acima deve ser controlado. O conjunto de fatores deve abranger entre outros:

  • A exposição cambial em moeda estrangeira.
  • A exposição às variações nas taxas de juros, inclusive os cupons de:
    • Moeda estrangeira
    • Inflação
    • Juros
    • A exposição às volatilidade de taxa de juros e taxas de câmbio.

O cálculo da sensibilidade das carteiras do Banco aos diversos fatores de risco, o Value-at-Risk e a subseqüente verificação da adequação das posições aos limites em vigor devem ser efetuadas diariamente e divulgados à alta gerência em relatório de circulação global.

Além da análise quantitativa descrita acima, testes de estresse devem também ser realizados diariamente.

Uma vez por semana o PAT SP deve consolidar as informações contidas nos relatórios diários num relatório que inclui também informações sobre o comportamento da economia brasileira, dos principais preços negociados no mercado financeiro, dos resultados obtidos pelas diversas áreas de negócios além de testes de estresse adicionais. Esses dados, uma vez consolidados com os das demais localidades, são apresentados à alta gerência do Banco BNP Paribas em reunião semanal sediada em Londres.

LIMITES

Os principais limites aos quais o Banco BNP Paribas Brasil deve se submeter são definidos em Comitê de Risco de Mercado Global, (CMRC, Capital Markets Risk Committee). Os membros deste comitê incluem a alta gerência do R-CM assim como os responsáveis das principais atividades de negócios do Banco BNP Paribas. Cabe ao PAT SP assegurar-se que os limites são calibrados adequadamente e advertir sobre uma eventual necessidade de alteração destes, caso o cenário econômico-financeiro sofra mudanças significativas.

As posições que causam um estouro de limite devem ser devidamente documentadas tanto nos relatórios de circulação global como nos sistemas interno de risco de mercado. O PAT SP deve seguir o procedimento delineado globalmente para assegurar o pronto enquadramento das posições que geraram o estouro.

Além dos limites estabelecidos pelo Comitê de Risco de Mercado Global, outros limites podem ser sugeridos pelo PAT SP ou pelos responsáveis por um linha de negócios. Estes limites devem também ser monitorados diariamente.

SISTEMAS

Os cálculos necessários ao monitoramento interno das posições devem ser efetuados através dos sistemas desenvolvidos pela Equipe de Arquitetura de Risco e demais áreas de pesquisa do grupo BNP Paribas. Esses sistemas são submetidos a avaliações periódicas (teste retro-ativos). A implementação de novas versões é precedida por um período de testes que envolve cada representação geográfica do banco. O PAT SP deve então avaliar os impactos destas mudanças sobre seu perímetro de atuação.

O monitoramento do Patrimônio de Referência Exigido (Resolução 3.490) é efetuado com o uso de sistema desenvolvido externamente por empresa brasileira de presença expressiva no mercado. Esse aplicativo deve ser validado periodicamente pelo PAT SP.


3. PAPEL INSTITUCIONAL

A política de risco de mercado no Banco BNP Paribas Brasil abrange também outros aspectos além do monitoramento das exposições do banco aos diversos fatores de risco de mercado. O papel do R-CM é também de supervisor. Ele deve assegurar-se que algumas normas internas são respeitadas. Dentre estas, três funções tem papel diferenciado:

NOVAS ATIVIDADES

É norma interna do Banco BNP Paribas condicionar a negociação de novos produtos a uma aprovação das diversas funções de controle. Requer-se que o patrocinador do novo produto ou atividade convoque um comitê de aprovação que deve incluir um representante do R-CM.

Por sua vez o R-CM, através do PAT SP, tem a missão de verificar que os riscos de mercado inerentes à nova atividade são passíveis de monitoramento e possuem limites já estabelecidos. O documento de aprovação deve conter uma análise detalhada sobre os riscos de mercado. Os pedidos de desenvolvimento tecnológicos, eventuais limites a serem definidos e demais condições necessárias ao controle dos riscos de mercado devem constar no documento.

MARCAÇÃO A MERCADO

As ferramentas utilizadas para a marcação a mercado oficial das posições do Banco BNP Paribas devem ser validadas pelo R-CM. Isso abrange tanto os algoritmos de apreçamento de cada instrumento financeiro como as definições do mercados na base de dados oficial do banco. O R-CM deve assegurar que os mercado são adequadamente modelados (definição dos instrumentos escolhidos para composição das estruturas a termo, escolha das técnicas de interpolação e etc).

VALIDAÇÃO DOS PARÂMETROS DE MERCADO

O R-CM, através do PAT SP, tem a obrigação de verificar que os parâmetros utilizados para a marcação a mercado encontram-se em linha com os preços de mercado. O objetivo consiste em identificar potenciais desvios em relação a uma marcação a mercado independente.

Os dados utilizados para este exercício devem ser neutros no sentido em que não podem ser obtidos das áreas de negócios. São aceitos preços de bolsas, preços de associações de mercado (por exemplo, ANDIMA) ou grupos de bancos e cotações de corretoras. Estes preços devem ser conservados pelo R-CM para eventuais consultas ou auditorias.

As diferenças encontradas entre a marcação a mercado efetuada com os parâmetros coletados pelo R-CM e os parâmetros internos devem ser documentadas em relatório a ser entregue à alta gerência global e à diretoria local. Diferenças acima de um valor crítico estabelecido pelo PAT SP